quarta-feira, 27 de abril de 2011

MVNE - Mobile Virtual Network Enabler - Parte IV: Arquitetura de Rede

Esta é uma série de posts sobre o assunto "MVNE - Mobile Virtual Network Enabler". Nesta parte, abordaremos os aspectos relacionados à arquitetura de rede das MVNEs.


Tem-se observado que as MVNEs pesquisadas possuem uma proposta de arquitetura de rede muito semelhante, baseada em alocação de recursos ora centralizados, ora distribuídos. Em geral, dispõem de datacenter próprio, onde ficam hospedados os principais sistemas, principalmente àqueles concernentes ao core operacional. Contudo, alguns sistemas são distribuídos, dependendo da abrangência geográfica de interesse na prestação do serviço, ficando hospedados em datacenters de parceiros. Isto é feito principalmente para as plataformas tecnológicas responsáveis pelos serviços de valor adicionado que geram muito tráfego de rede, como serviços de URA e de correio de voz, a fim de aliviar o tráfego para o site central.

A figura a seguir ilustra o caso de arquitetura de rede da Effortel, que possui um datacenter central nível 3 em Bruxelas, com disponibilidade de 99,999%, que realiza principalmente as funções de controle de chamadas sobre sinalização SS7, estando os sistemas de URA e voicemail instalados localmente em datacenters de parceiros.






Figura 02 – Exemplo de Arquitetura de Rede

Na arquitetura de rede inteligente, a partir da sinalização SS7, a MVNE deve funcionar como um Ponto de Controle de Serviços, comunicando-se com as centrais de comutação de serviços, para definir os serviços de rede, através de protocolos como o Intelligent Network Application Part (INAP), provendo facilidades como a translação de números telefônicos. Outro aspecto que a MVNE deve ser aderente é à arquitetura CAMEL (Customised Applications for Mobile Networks Enhanced Logic ETSI TS 123 078), presente no core das redes GSM ou UMTS, o qual se podem criar muitos serviços de rede, sendo particularmente efetivo para uso de serviços quando o assinante se encontra em roaming, como em discagem sem prefixo ou envio de mensagens MMS de forma transparente. Outro conceito que deve ser suportado para o mesmo propósito de facilitar serviços em roaming é o Wireless Intelligent Network (WIN) desenvolvido pela TIA. Alternativamente, estas funcionalidades podem ser implementadas com o protocolo SIGTRAN transportado sobre IP.
Outro protocolo da SS7 importante para o Ponto de Controle de Serviços da MVNE é o Mobile Application Part (MAP), disponível tanto para GSM quanto para UMTS, o qual é usado para acesso às bases HLR e VLR, a MSC, ao Centro de Autenticação, ao SMSC e ao Nó de Suporte a Serviços GPRS (SGSN), provendo serviços de mobilidade, operação e manutenção, processamento de chamadas, serviços suplementares, serviço de mensagens (SMS), serviços de dados para GPRS e serviços de localização de assinantes móveis. Uma especificação semelhante para o caso de integração com redes móveis legadas, como AMPS ou CDMA, é através do padrão IS-41.
O Ponto de Controle de Serviços da MVNE se integra a outros elementos via protocolos específicos. Para autenticação e autorização este deve suportar o Radius ou seu sucessor, o protocolo Diameter. A integração com servidores de aplicação VoIP é realizado via SIP. Já a comunicação com sistemas, como servidores de aplicação ou sistemas de billing pode se dar pelo protocolo diameter, por webservices ou protocolos proprietários.







Figura 03 – Ponto de Controle de Serviços e Protocolos

Segundo informações da empresa Effortel, esta arquitetura está preparada para ser escalável até 10 milhões de assinantes. Pode trabalhar tanto com as tecnologias GSM, UMTS, CDMA ou WiMax, quanto está preparada para integrar-se a sistemas via APIs web ou SOAP/XML. Hoje, possui integração com as principais plataformas de Telecom de mercado, providas por empresas como Nokia Siemens, Ericsson, Motorola e Huawei.
Outra provedora MVNE na Europa, a Transatel, com 100 empregados, 11 MVNOs na carteira de clientes, conexão a cinco operadoras móveis europeias, capacidade de atendimento para 20 milhões de assinantes, com operações na França, Reino Unido, Bélgica, Suíça, Holanda e Luxemburgo, utiliza 4 datacenters para hosting distribuído de recursos.

No próximo post, intitulado "Modelo de Negócios", serão abordados os principais modelos em que uma MVNE pode atuar.

Até lá!





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